Resenha do livro DESERTO DE OSSOS – CHRIS BOHJALIAN

06.01.2018

 

 

Esse livro se passa na época de uma das menos comentadas guerras da história (1ª Guerra Mundial), quando aconteceu o genocídio dos armênios, intensificado principalmente entre os anos 1915 e 1918, onde mais de um milhão e meio de homens, mulheres e crianças morreram, muitas vezes de maneira bárbara, nas mãos dos turcos, sem que nenhuma nação fizesse nada de maneira efetiva e eficaz para ajudar. Todos nós conhecemos bem os fatos da Segunda Guerra Mundial, são bastante falados nas escolas, nos livros e na mídia até hoje, mas... e a Primeira? Confesso que eu pouco sabia sobre ela e nunca procurei pesquisar, então foi uma surpresa de repente ler uma ficção totalmente baseada no que ocorreu durante a Primeira Guerra Mundial, onde milhões de armênios morreram nas mãos dos turcos, por volta de 1915: já tinha lido uns poucos livros onde essa guerra servia de pano de fundo ou era mencionada, mas nunca efetivamente sobre ela ou com a profundidade que encontrei agora.

 

Esse foi mais um dos livros que veio cair em minhas mãos através de uma amiga que me emprestou depois de termos conversado rapidamente sobre o assunto e confesso que “Deserto de Ossos” me pegou desprevenida, pois não havia parado sequer para ler a sinopse, peguei para ler sem saber quase nada do enredo... E o que eu posso dizer é que foi uma surpresa positiva porque foi uma chance de conhecer esse fato histórico marcante e tão pouco comentado, mas negativa e triste no sentido de saber da existência de tão terrível e quase desconhecido massacre: depois que terminei o livro andei lendo mais a respeito e vi como realmente foi cruel e que também existem turcos que contestam esses dados, mas não vou entrar nessa polêmica aqui onde só pretendo falar sobre o que está no romance de Chris Bohjalian, no que ele investigou, estudou e se baseou para criar essa história. O fato é que fiquei muito sensibilizada com tudo o que ocorreu, pois mesmo sendo uma ficção, há detalhes de conflitos verdadeiros (como já falei o autor pesquisou bastante, podemos ver na bibliografia ao final do livro), de assassinatos que infelizmente ocorreram e de toda a maldade sempre presente numa época de guerra. E fica aqui a pergunta de uma personagem (Laura): “Como um milhão e meio de pessoas morrem sem que ninguém saiba?” (pág. 318)... É inacreditável, realmente é inacreditável!

 

O enredo é a vida de Armen Petrosian, um engenheiro armênio e Elizabeth Endicott, uma americana que junto ao pai se voluntariou para ajudar o povo da Armênia durante a guerra. Esse romance é contado pela neta Laura, que resolve que já é hora de escrever sobre seus antepassados quando está perto de completar cem anos desse genocídio que marcou a História. Ela inicia uma pesquisa do que ocorreu naquela época e como foi a vida de seus avós, e é através de cartas e relatos dos próprios avós que Laura escreve um livro sobre eles, onde é impossível a gente não se emocionar. Eu me emocionei. E muito.

 

O livro é escrito de uma maneira bem interessante, como se fosse dividido em duas partes: ora é narrado contando a história de Elizabeth e Armen com seus medos, amores e sofrimentos e ora com Laura revelando os motivos de escrever o livro e de como conseguiu as informações. Essa mudança de pontos de vista é muito boa, pois nos permite ficar próximo tanto dos protagonistas quanto de sua neta tantos anos depois, com suas visões bastante diferentes... Isso foi uma coisa que o autor soube fazer com a maestria que só os bons escritores conseguem!

 

É uma leitura intensa, com cenas fortes e tristes, mas acho que apesar de tudo foi muito bom e enriquecedor em vários aspectos saber mais sobre esse período desconhecido até então da história mundial (pelo menos por mim). O estranho é que é uma história de amor que não tem como foco o amor propriamente dito, mas sim tudo o que ocorreu por trás disso, toda a luta e todo o sofrimento que uma guerra traz junto! O ódio e a insanidade desses fatos acabam norteando essa belíssima história de amor, tornando-a diferente e bastante atraente. Eu fiquei mexida em diversos momentos, tanto na parte da ficção, mas principalmente naqueles que tratam da vida real, acho que é impossível não ser assim como já falei e torno a repetir...

 

Deserto de Ossos é um livro complexo, não por ser de leitura difícil, mas pelas implicações que traz, principalmente no que se refere a crueldade com que foram tratadas milhões de pessoas com a quase dizimação de um povo. Traz personagens fortes e apresenta tragédias pessoais que marcaram cada um deles pela vida toda, como não poderia deixar de ser. Fiquei chocada ao perceber mais uma vez através de uma simples leitura ficcional, até onde o ser humano é capaz de ir numa guerra, seja por ideologia (?), maldade ou por indiferença...

 

Valeu a leitura para aprender um pouco mais sobre a Primeira Guerra Mundial! Mas fico torcendo para que não aconteçam mais guerras... é muito triste saber e depois ler uma ficção que trata de uma realidade tão dura, que nos mostra o lado mais feio e cruel de alguns seres humanos! Guerra é uma verdade que sabemos que existiu, que existe, e que muito provavelmente vai continuar existindo. Mas não precisa ser assim e nós temos o direito de sonhar que não vai mais acontecer e a obrigação de lutar para que não aconteça nunca mais...

 

Achei que fui muito repetitiva e até certo ponto um pouco enrolada ao comentar “Deserto de Ossos”, até pensei em reescrever tudo. Mas resolvi deixar assim mesmo: é um livro que mexeu comigo de uma maneira diferente, então nada mais normal que o meu texto também tenha ficado bastante diferente dos que costumo escrever... Essa é daquelas leituras que quando chegamos ao fim não sabemos se recomendamos ou não: a gente lê e não sabe se entendeu aquilo que pensa que entendeu... Complicado e muito triste! E o pior de tudo... é baseado na realidade! Fiquei confusa, escrevi um texto confuso e no fim nem sei se mais atrapalhei ou ajudei ao comentar “Deserto de Ossos”... Mas vai ficar assim!

 

No mais... um Feliz 2018, com muitos livros recheados da Paz que tanto desejamos e precisamos na nossa vida real e ficcional!

 

FELIZ ANO NOVO!

 

 

 

 

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Maria Cláudia de Macedo Miranda Marandino

 

Resendense de nascimento e carioca desde os meus três anos, sou professora (aposentada) especializada em alfabetização e pré-escolar. Amo ler pelo simples prazer de ler! Não sou especialista em literatura mas vou colaborar no 1 olhar com o resumo que faço de cada um dos muitos livros que leio na esperança de despertar o leitor que sei que vive dentro de cada um de nós: todos somos leitores, basta que o livro certo nos encontre!

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