Resenha do livro A IRMÃ DA PÉROLA – LUCINDA RILEY

20.01.2018

 

 A Irmã da Pérola é o quarto volume da série “As Sete Irmãs” onde duas jovens de séculos diferentes têm seus destinos cruzados numa história sobre amor, arte e superação. Não é o melhor livro da autora a meu ver e estou tendo uma certa dificuldade para escrever sobre ele, pois toda hora me vejo dando spoiler, nem sei bem por que... mas vou tentar porque não posso imaginar que não vou conseguir falar de mais um livro de Lucinda Riley, autora que sempre me deixa com um gostinho de “quero mais” ao final de cada romance que leio dela (mesmo tendo achado esse o mais fraco da série até agora... este gostinho está aqui!).

 

Mas vamos lá então: para quem ainda não sabe ou não se lembra, a história da série é sobre as irmãs que foram adotadas por um homem conhecido como Pa Salt que ao morrer deixou para cada uma delas uma carta e algo do passado, como se fosse algum tipo de pista para que elas pudessem descobrir suas origens se assim o desejassem. Na verdade a série é feita de maneira que a cada carta aberta uma das filhas comece uma grande aventura, e as histórias apresentadas são tão diferentes umas das outras que eu me pego sempre pensando de onde vem tanta imaginação... coisas de Lucinda Riley é claro! Nesse volume vamos saber da história de Ceci D’Aplièse, mais uma dessas filhas adotivas.

 

Então... Ceci sempre foi muito apegada à sua irmã Estrela. As duas eram inseparáveis, mas após Estrela descobrir a sua história e encontrar o seu lugar no mundo (a vida dela está no livro “A Irmã da Sombra”), ela deixa Ceci trilhar por conta própria o seu caminho. Agora Ceci se vê sozinha em um apartamento grande demais em Londres e é aí que surge nela aquela vontade de também saber de onde veio como algumas de suas irmãs já fizeram, e talvez até conhecer algum antepassado, quem sabe?

 

Depois de muito pesar os prós e os contras começa também a sua grande aventura: até então a personagem passava para mim a imagem de às vezes ser uma pessoa um pouco insegura, abandonou recentemente o curso de Artes sem muitas explicações apesar de seu enorme talento, às vezes parecia ter um espírito livre, que amava viajar, mas que também tinha uma tendência a fugir ao invés de confrontar os problemas. Enfim, eu não conseguia vê-la como alguém equilibrada e objetiva para uma empreitada de buscas, mas o fato é que ela resolveu que tinha chegado a hora de procurar suas origens tendo como pistas um nome e uma fotografia em preto e branco antiga. Além desses dois indícios possuía também algo que todas as irmãs receberam com suas cartas do pai: eram coordenadas que Pa Salt deixou num mapa, sendo que as de Ceci apontavam para a Austrália.

 

E como em todos os livros da série este aqui também alterna o presente e o passado, coisa que eu amo nas histórias da autora, pois a gente percebe que tudo é muito bem pesquisado e fundamentado. E nesse livro, no passado iremos acompanhar a história da família de Ceci, o início de tudo e onde conheceremos uma personagem incrível, Kitty Mcbride, uma mulher forte que passou por situações bastante difíceis, fez algumas escolhas ruins e com isso também aparentemente perdeu muito na vida. E também teremos retratada a Austrália do início dos anos de 1900: uma terra árida, com um sol escaldante, mas que era tida como a “terra de oportunidades” e por isso muitos iam tentar a sorte por lá, apesar de tudo ser bem difícil... essa parte da história vai nos mostrar a vida dura dos imigrantes desbravadores de uma terra com um clima tão seco que beirava o insuportável e onde a sobrevivência era uma luta diária. As condições de vida eram terríveis e ainda havia o preconceito que se fazia muito presente naquelas pequenas comunidades que iam se formando. Lucinda Riley mais uma vez consegue retratar muito bem a sociedade local e podemos perceber como tanta gente pobre sofria na mão dos “brancos ricos”, nos dando aquela sensação da imutabilidade da vida...

 

No presente vamos acompanhar Ceci, uma pessoa que adiou bastante sua jornada. No início, como já falei, ela me passou a imagem de alguém indecisa, confusa e até pouco corajosa, mas a verdade é que no decorrer da história Ceci vai desabrochando ao descobrir os pedacinhos da sua vida e da de seus antepassados... Antes de ir para a Austrália Ceci passou algumas semanas na Tailândia. Ela tinha alguns conhecidos por lá e achei (aqui é só “achismo” mesmo da minha parte...) que estava procurando um pouco de coragem ao adiar um pouquinho mais o que iria descobrir do seu passado. Confesso que por um momento cheguei a pensar que nem fazia muito sentido no contexto do livro essa ida à Tailândia e talvez seja até por isso que considerei essa uma parte bem monótona... Mas nesse lugar Ceci conhece uma pessoa que vai se mostrar bastante importante ao ajudá-la na sua empreitada, além de ter uma história um tanto misteriosa. Esse encontro é que faz ter sentido essa ida à Tailândia: é tudo muito romântico, o lugar é paradisíaco, tem cenas verdadeiramente cinematográficas, mas, torno a repetir, achei um pedaço bem entediante... o que aconteceu lá poderia ter acontecido em qualquer outro lugar ou poderia ser narrado de maneira mais concisa, foi muito longo para pouco resultado a meu ver.

 

Apesar de ser mais uma história com personagens complexos e carismáticos, onde a autora mais uma vez demonstra o seu talento, achei o mais fraco dos quatro que compõem a série até agora. Mas isso não significa que seja ruim ou que eu não aconselhe a leitura (as pessoas muito românticas talvez adorem a passagem pela Tailândia...). A verdade é que Lucinda Riley sempre nos dá algo bom de ler, é uma excelente contadora de histórias! Mesmo não sendo o melhor que já li da autora, terminei A Irmã da Pérola torcendo para que as outras irmãs saiam logo em busca de seus passados para que tenhamos logo mais um livro dessa série tão interessante, e não importa se ele vai ser mais ou menos fraco, a verdade é que sempre vai ser uma boa história!

 

PS – O último capítulo é um forte indício que a próxima irmã já está a caminho...

 

 

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Maria Cláudia de Macedo Miranda Marandino

 

Resendense de nascimento e carioca desde os meus três anos, sou professora (aposentada) especializada em alfabetização e pré-escolar. Amo ler pelo simples prazer de ler! Não sou especialista em literatura mas vou colaborar no 1 olhar com o resumo que faço de cada um dos muitos livros que leio na esperança de despertar o leitor que sei que vive dentro de cada um de nós: todos somos leitores, basta que o livro certo nos encontre!

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