Resenha do livro O VOO DA LIBÉLULA – MICHEL BUSSI

27.01.2018

 

“O Voo da Libélula" já me ganhou logo na sinopse: adoro livros de mistérios, investigação, dramas psicológicos e o enredo é bem rico nesses quesitos, tem de tudo um pouco. Além disso, o autor é o mesmo de “Ninfeias Negras”, um livro de mistério que me arrebatou no início do ano passado, um dos poucos do gênero que tenho vontade de ler novamente mesmo já sabendo quem é o assassino...

 

Mas voltando ao “O Voo da Libélula”: a história começa na noite de 23 de dezembro de 1980 quando um avião cai no Monte Terrible entre a França e a Suíça, e 145 pessoas que estão a bordo morrem. Porém acontece um milagre quando se descobre que uma bebê de apenas dois meses de vida sobreviveu a essa tragédia. O grande problema é que havia duas passageiras com dois meses de idade dentro do avião e foi praticamente impossível descobrir a sua verdadeira família por não existir ainda o exame de DNA naquele tempo. Claro que hoje em dia, seria muito rápido descobrir a origem da bebê sobrevivente, mas na época essa situação foi a causadora de tragédias, tristezas e uma disputa enorme entre as duas famílias envolvidas e essa dúvida atormentou extremamente ambas as famílias e, mais tarde, a jovem mulher sobrevivente que aquele bebê se tornou.

 

As passageiras sobreviventes são Lyse-Rose e Émilie, mas como as investigações duraram meses, durante a narrativa o autor, através de um personagem, optou por chamá-la de Lylie, que é a junção dos dois nomes. Os responsáveis pelo caso não tinham a menor ideia qual era a origem da menina sobrevivente e a imprensa estava toda em cima, todo o mundo ficou de alguma maneira mexido com a história trágica do voo e torcia para que a verdade fosse logo descoberta. As maiores dificuldades dos investigadores estavam na ausência de fotos das crianças, na falta de informações sobre as roupas que elas estavam no dia do acidente e principalmente pelo fato de que os avós nunca tinham visto as netas.

 

A família de Lyse-Rose de Carville é composta pelos avós Mathilde e Léonce e pela irmã Malvina. Léonce é um homem riquíssimo, seu filho e sua nora moravam na Turquia e iriam passar o Natal com a família. Malvina, então com 6 anos, já tinha ido um tempo antes para a casa dos avós e se tornou a única testemunha viva que teve contato com a irmã, por isso o avô a levou a todas as audiências, deixando que a menina crescesse traumatizada e bastante esquisita.

 

A família de Émilie Vitral é composta pelos avós Nicole e Pierre e pelo irmão Marc. Nicole e Pierre trabalham vendendo comidas num trailer de sua propriedade e vivem com dignidade apesar de que com muita dificuldade. Seu filho e sua nora ganharam uma viagem de lazer para a Turquia e estavam voltando de lá com a bebê. Marc tinha ficado com os avós durante o passeio dos pais, daí não estar no avião e nem sequer conhecer a irmã.

 

Léonce tinha um sobrenome importante e fez de tudo para ganhar a guarda da menina, mas Nicole e Pierre é que acabaram ficando com a custódia de Lylie apesar das muitas incertezas da justiça. Então Mathilde Carville resolve contratar o detetive particular Grand-Duc e lhe dá um prazo para descobrir a verdade: nada mais nada menos do que 18 anos!

 

Quando as últimas horas do detetive estão acabando, por não ter sido capaz de resolver o caso ele decide se suicidar, mas antes disso entrega para Lylie um diário que fez ao longo desses 18 anos de investigação com todas as informações sobre o caso. Porém, no último momento, quando está prestes a tirar sua vida, ele descobre uma pista que deixou passar. Mas é assassinado antes de revelar a verdade, verdade essa que só iremos descobrir no final - isso me deixou até um pouco angustiada, embora tenha valido muito a pena esperar para saber tudo o que aconteceu!

 

Lylie fica transtornada com o que lê, entrega o diário a seu irmão Marc e desaparece dizendo que “cometerá um grave ato”. Na verdade Marc não sabe se é irmão dela, mas é apaixonado por Lylie. Ela também gosta dele, mas tem receio de ser sua irmã. Marc começa a lutar contra o tempo para descobrir o que Lylie está planejando fazer e também para descobrir o grande segredo que Gran-Duc levou para o túmulo e que mudará para sempre sua vida: Lylie é ou não sua irmã?

 

Os personagens são bem estruturados e definidos de tal maneira que às vezes eu tinha até uma impressão esquisita de saber o que eles estavam pensando. E a história é muito bem construída, há momentos em que parece que a gente está descobrindo junto com Marc tudo o que vai acontecendo: isso é uma coisa que gosto muito quando ocorre nas minhas leituras... E a narrativa do autor é feita de maneira que vai alternando entre o diário de Gran-Duc, as buscas de Marc, as atitudes de Lylie, Mathilda, Malvina, entre outros. Isso torna a trama muito ágil e dinâmica, fica aquela sensação que sentimos mais ao ler um thriller do que um livro de mistério, se é que me faço entender...

 

Marc acaba sendo um dos principais personagens do livro, pois é ele quem vai desvendando o mistério lendo o diário do detetive e juntando aos poucos as peças desse quebra-cabeça, além de ter enfrentado a loucura da família Carville. O final foi surpreendente para mim, mas o achei bem condizente com a trama. A narrativa é eletrizante e muito gostosa de ler. Michael Bussi se supera nos levando por uma história cheia de possibilidades, que vão se materializando e por vezes nos enganando, até chegar a um final realmente original, embora bem no finzinho comece a dar para perceber o que aconteceu de fato naquela longínqua noite de1980. E vou ter que parar por aqui, pois estou muito perto de dar um spoiler...

 

OBS: Li em algum lugar que “O Voo da Libélula” teve seus direitos vendidos para 25 países e que vai ganhar uma adaptação cinematográfica. Vamos aguardar...

 

 

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Maria Cláudia de Macedo Miranda Marandino

 

Resendense de nascimento e carioca desde os meus três anos, sou professora (aposentada) especializada em alfabetização e pré-escolar. Amo ler pelo simples prazer de ler! Não sou especialista em literatura mas vou colaborar no 1 olhar com o resumo que faço de cada um dos muitos livros que leio na esperança de despertar o leitor que sei que vive dentro de cada um de nós: todos somos leitores, basta que o livro certo nos encontre!

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