Clausura

05.02.2018

 

 

Não saio mais a noite, não posso, me impediram, há tempos me vejo na clausura da selva de pedra sem lei, ou melhor, com leis inócuas, há tempos me vejo sem liberdade, justificada na ideia falaciosa de que a desigualdade social provoca o caos da violência urbana no país, esses formadores de opinião nos prenderam, com suas falas cheias de certezas e nenhuma experiência tácita, conseguiram atingir minha liberdade, comemoram em seus laboratórios humanistas a minha e a sua prisão dentro de nossas residências.

 

Somos vítimas injustamente presas numa paranóia esquizofrênica que é o sistema jurídico penal brasileiro, que se sensibiliza com rebeliões de forma contundente, e com grávidas baleadas de forma muito amena, somos todos condenados sem recursos ao STF, à prisão domiciliar e de nossos sonhos, provamos do mal da impotência, da tibieza da lei penal, da ganância de quem lucra com a tragédia em benefício de ONGs, mídias, coletivos que dizem querer melhorar o mundo com a estampa politicamente correta, mas nos prenderam para isso.


Quem eu vitimizei para receber essa prisão? Quando erramos ao trabalhar e procurar realizar nossos sonhos? Quando eu fui julgado sem direito a ampla defesa? Democracia é algo para todos, ou não? A plutocracia não se conteve em esquecer a ética, em não se estabelecer com estadistas, mas foi além, prendeu o brasileiro por ser trabalhador há pelo menos duas décadas. Esperamos pacificamente a covardia alheia, pagamos passivamente os impostos que nos colocam presos em casa, damos voltas e voltas em debates sobre gênero, esquecendo que todos morrem com a bala perdida ou achada, que não adiante ter vias públicas se o caráter público é esquecido, e a tal  liberdade para ir e vir, esquecemos o quanto o pacifismo nos trouxe a guerra.
 

 

 

LEIA MAIS

- TSE: desemperre o Brasil e livre-se do Temer por Paulo Buchsbaum

- Liberdade por Bruno Rosi

- O financiamento de campanhas na base do caos político por Daniel Daipert

- Gestão (?) pública por Paulo Gustavo Ganime

- A relação do policial militar com a sociedade brasileira por Jan Creveld

 

JAN VAN CREVELD CARVALHO MONTEIRO

 

Especialista em Segurança Pública pela UFF - INeac, pós graduado em ciências sociais e policial há 14 anos, atualmente no posto de Capitão.

Please reload

 SIGA-NOS AQUI TAMBÉM 
  • Facebook B&W
  • Twitter B&W
  • Instagram B&W
 os mais RECENTes : 

August 6, 2018

August 3, 2018

July 18, 2018

July 11, 2018

Please reload

Please reload

Copyright © 1Olhar 2017

  • Grey Facebook Icon
  • Grey Twitter Icon
  • Grey Instagram Icon

O 1 Olhar é uma plataforma colaborativa com mais de 50 colunistas compartilhando o olhar, a opinião de pessoas normais sobre os acontecimentos que nos cercam.

Quer colaborar? Entre em contato