Resenha do livro ESCRAVAS DE CORAGEM – KATHLEEN GRISSOM

18.02.2018

 Que livro bom esse!!! Uma leitura que me ensinou muitas coisas já que fui levada no tempo para uma fazenda de escravos na Virgínia, EUA, por volta dos anos de 1800, me distraiu e emocionou com histórias de amor e superação, me atormentou com o sofrimento dos escravos (coisa que não consigo aceitar é a escravidão, seja ela qual for...), me fez ter muita raiva da arrogância daqueles que se consideravam superiores apenas por causa da cor de suas peles, me mostrou a ternura da solidariedade e muitas vezes me fez ficar triste com o medo, o fatalismo de aceitação e a desesperança com que os negros escravos acolhiam as imposições dos “seus senhores” (???)... Enfim, é um livro rico em detalhes sem ser cansativo, com um tema histórico que nos faz repensar a humanidade, valorizar os laços que unem as pessoas e perceber a real importância da família quando formada com e pelo amor.

 

A história começa quando durante a travessia da Irlanda para os Estados Unidos, em busca de uma vida melhor, os pais de Lavínia morrem e ela acaba sendo separada do irmão. Lavínia, uma criança branca de apenas 7 anos que virá a ser a protagonista do romance, é levada pelo capitão James Pyke para sua fazenda na Virgínia, onde é colocada para trabalhar com os negros da casa-grande que acabam se tornando sua família e seus melhores amigos por toda a vida. Lá ela fica sob os cuidados de Belle, uma escrava mestiça responsável pela cozinha do casarão, filha ilegítima do capitão.

 

No início Belle não gosta da ideia de ter que tomar conta de uma menina branca com cabelos cor de fogo, meio doente, incapaz de reter qualquer tipo de comida no estômago, que mal fala e não se lembra de nada de sua vida. Mas aos poucos Lavínia se habitua à rotina da cozinha e é “adotada” por toda a família de escravos formada por Belle, Mama Mae, Papa George e seus filhos, biológicos ou “de consideração”.

 

À medida que cresce, ela começa a ser aceita também na casa-grande e a se envolver cada vez mais com a família dos proprietários, tornando-se companhia e cuidadora da esposa do capitão, que luta contra a dependência do ópio. Nesse período a dona da casa ensina “bons modos” (etiqueta) a Lavínia e também faz com que ela aprenda a ler e escrever.

 

Com o tempo, mesmo contra a sua vontade, sua pele clara vai acabar afastando a jovem das pessoas que mais ama, ela ficará dividida entre dois mundos, a escravidão e a liberdade, verá até a sua lealdade ser questionada por muitos... Seja qual for a sua escolha, sabe que vai trazer consequências para a vida de todos seus amigos, mas a verdade mesmo é que ela não terá muitas opções num mundo onde os “senhores” é que mandam.

 

São muitos anos de história nesse livro até a menina virar uma bela mulher. São tantas histórias dentro de uma só, tantos personagens descritos com tamanha riqueza de detalhes, tantas situações de desmandos e crueldade difíceis até de entender, tanto amor e solidariedade envolvidos... que fica impossível que eu escreva mais sobre tudo isso sem dar muitos spoilers ou acabar escrevendo outro livro dentro desse!

 

Não tenho certeza se me fiz entender, mas vou finalizar assim mesmo, apenas reiterando que é um romance tocante, uma leitura histórica com um tema bem discutido e colocado no contexto da época em que se passa sem ser monótono ou exageradamente emotivo, apresentado de uma maneira que mexe com nossos sentimentos em vários momentos e nos faz repensar no verdadeiro significado do que é família, liberdade, amizade, solidariedade e principalmente no que é humanidade num sentido bem mais amplo. Num clima de “E O VENTO LEVOU” sem a guerra o livro traz toda a crueldade da escravidão e a ternura do companheirismo, da cumplicidade no seu mais belo sentido e principalmente da lealdade de uma verdadeira amizade cunhada no sofrimento, na dor e principalmente no amor!

 

 

 

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Maria Cláudia de Macedo Miranda Marandino

 

Resendense de nascimento e carioca desde os meus três anos, sou professora (aposentada) especializada em alfabetização e pré-escolar. Amo ler pelo simples prazer de ler! Não sou especialista em literatura mas vou colaborar no 1 olhar com o resumo que faço de cada um dos muitos livros que leio na esperança de despertar o leitor que sei que vive dentro de cada um de nós: todos somos leitores, basta que o livro certo nos encontre!

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