Resenha do livro UM AMOR INCÔMODO – ELENA FERRANTE

10.03.2018

Um Amor Incômodo não foi o primeiro livro da Elena Ferrante que li. Mas esse foi uma leitura incômoda, não querendo aqui fazer um trocadilho com o título do livro: a verdade é que achei que dessa vez a autora foi prolixa e apresentou uma história bastante confusa, com um complicado nó de mentiras e emoções que ligavam mãe e filha, tudo narrado de uma maneira intricada, sinuosa e por vezes até repetitiva.

 

A história é sobre Delia, uma mulher de quarenta e cinco anos, e a recente morte misteriosa de sua mãe Amália, que foi encontrada morta numa praia em circunstâncias suspeitas, vestida apenas com um sutiã que não fazia muito o estilo de roupas que ela usaria. Sua filha, ao mesmo tempo em que lamenta essa perda, sente-se um pouco aliviada, o que é esquisito e me faz pensar em como ela poderia sentir-se dessa forma com a morte de sua própria mãe. Ao longo da narrativa vamos descobrir o relacionamento estranho e conturbado entre elas e tentar entender isso, entendimento esse que foi difícil visto a história ser narrada de uma maneira bem confusa.

 

O romance é cheio de cenas complicadas, a apresentação tanto dos personagens como dos fatos é confusa, e mesmo a parte onde Delia revive episódios traumáticos e extremamente conflitantes da sua infância que poderiam explicar muitas coisas, isso nos é apresentado de uma maneira não muito clara e até um tanto caótica, misturando fantasia com realidade: a mim apenas angustiou sem acrescentar muita coisa.

 

Resumidamente vamos ter uma história que começa quando a mãe de Délia morre e ela retorna a sua cidade natal (Nápoles, Itália), onde vamos conhecer os outros três personagens importantes para que possamos tentar compreender a relação entre Amália e Delia. Esses personagens são: Caserta, possivelmente o atual namorado de Amália, uma paixão antiga que atrapalhou o relacionamento dela com o pai de Delia lá nos primórdios da vida da família; vamos ter também seu pai, ciumento e agressivo, que fazia pinturas de mulheres nuas para vender, todas inspiradas na esposa, mas que maltratava muito Amália, e mesmo após mais de 20 anos separados continuava a assombrar a vida dessa velha costureira; e finalmente seremos apresentados ao irmão de Amália, conhecido por lançar insultos indistintamente a pessoas próximas e estranhas, com temperamento e comportamento excêntricos para falar o mínimo sobre isso.

 

Enfim... Acho que uma leitura que incomoda pode ser algo até positivo, quando mostra que a autora sabe como sensibilizar seus leitores, mas nesse caso, mesmo trabalhando temas tão recorrentes na sua obra como mulheres, maternidade, casamento e violência domestica dessa vez Elena Ferrante me incomodou... mas não me agradou: apesar das cenas bem detalhadas (embora muitas vezes confusas, torno a repetir), dos temas importantes, da tentativa de mostrar a emoção psicológica dos personagens, a escrita foi muito intricada, não foi gostoso de ler como os quatro livros da “Serie Napolitana” (ver resenhas anteriores) da mesma autora.

 

Ainda bem que foi uma leitura rápida já que “Um Amor Incômodo” só tem 176 páginas e que só fui lê-lo depois de já ter me deliciado com os quatro volumes da “Série Napolitana”, caso contrário eu não teria investido e conhecido a autora, o que me faria perder algo que foi uma delícia dividida em quatro excelentes livros...

 

Para mim, “Um Amor Incômodo” ficou devendo!

 

 

 

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Maria Cláudia de Macedo Miranda Marandino

 

Resendense de nascimento e carioca desde os meus três anos, sou professora (aposentada) especializada em alfabetização e pré-escolar. Amo ler pelo simples prazer de ler! Não sou especialista em literatura mas vou colaborar no 1 olhar com o resumo que faço de cada um dos muitos livros que leio na esperança de despertar o leitor que sei que vive dentro de cada um de nós: todos somos leitores, basta que o livro certo nos encontre!

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