O sentido

12.04.2018

 

 

Muitos nos questionam do porquê da carreira policial, em um país em que a atividade é tão criticada e muito pouco valorizada. Sempre que escuto esse questionamento, percebo no receptor da mensagem que irei emitir como resposta a total falta de empatia por um sentimento tão comum em meus colegas de farda, o sentimento de missão.


Talvez poucas profissões darão a dimensão do que é ter uma atividade que transforma diariamente a vida de tantos oprimidos, assim como de tantos criminosos opressores, não é à toa que a criança tem no seu imaginário a figura arquetípica do policial como um desejo. Super Heróis existem...


Só que diferem dos da televisão, pois possuem carne, ossos, dívidas, preocupações e alegrias. Mas realmente são diferentes do ser humano normal, são doadores natos. 
Doam sua alma muitas vezes, fora a convivência familiar e social, fazem valer o sentimento de missão.


Não teria graça para meus colegas, nem para mim, viver essa vida sem essa sensação. Talvez por sermos diferentes dos demais humanos não somos atendidos pelos defensores dos direitos humanos no país. Provavelmente porquê o conceito original dessa defesa fora deturpado no país do revanchismo histórico contra os militares. É..., somos também militares, achamos a honra na bandeira e ao marchar, não ligamos para o deboche dos que se acham mais e melhor do que quem usa farda, ignoramos essa tal liberdade de opinião agressiva, pois queremos liberdade de ir e vir, não liberdade para ofender como muitos querem por aí.


Para todos nós, a frase de Francisco Otaviano faz muito sentido:
"Quem não sentiu o frio da desgraça, quem passou a vida e não sofreu, foi espectro de homem, e não homem, só passou pela vida, não viveu."


Então, a falta de reconhecimento e de apreço tem sua explicação maior, e talvez mais contundente, em uma nação que tem no valor da vantagem bem maior que a solidariedade.
 

Esse sentido, talvez não seja tão explícito, nem para o próprio militar, já imaginaram quantos e quantos aí fora, mesmo com toda sorte de dificuldade financeira, nunca sonhariam em estar em uma atividade dessas?
 

Tenho a certeza que até o mais cético e pragmático policial esconde no seu inconsciente uma razão de existência que transcende o religioso, uma qualidade metafísica de imenso valor, o sentido da existência nesta passagem.
 

Por mais humilde que seja nosso recruta, tens o orgulho do seu filho que muitos magnatas nunca conquistarão, nós temos nas crianças nossa maior justificativa para a missão, e na fé nossa força para o dia a dia.

 

 

 

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JAN VAN CREVELD CARVALHO MONTEIRO

 

Especialista em Segurança Pública pela UFF - INeac, pós graduado em ciências sociais e policial há 14 anos, atualmente no posto de Capitão.

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