Como o politicamente correto influenciou o declínio da segurança pública no país.

20.05.2018

 

 

Entre falas construídas por acadêmicos, pseudointelectuais, administradores públicos e a grande mídia, o "ser criminoso" ganhou um ar de aceitabilidade com o amparo politicamente correto da relação pobreza e criminalidade.


Se fôssemos hoje no Quênia, país que sofre com um Índice de desenvolvimento humano muito pior que o nosso, ficaríamos assustados ao vermos que nosso país trata a questão da ordem com apenas o viés da desigualdade social. 


Pois é caro doutor verborrágico de ONG, lá no Quênia, assim como no Zimbábue, ou nos recantos mais pobres da super populosa Índia, não vemos um grupo de adolescentes saírem da praia e invadirem uma loja de conveniência causando pânico, lesões corporais e até mortes.


O componente moral da discussão em torno da violência urbana e rural no Brasil deve voltar a ser tratado com seriedade, e não posto de lado como empirismo de reacionários.
A pena não foi feita para ressocializar. Talvez até seja o segundo propósito do encarceramento, mas não o primordial, que deveria ser satisfazer a condição de satisfação à vítima do ato delituoso.

 

Não se deve aceitar que a bondade, ou as virtudes sejam uma característica comum em todos os seres e em todos momentos. Todos erramos, em determinado momento, trabalhando, na vida familiar ou social, mas o transgredir a regra que preserva a ideia de cidadania, é algo típico de certo tipo de gente, e estão em todas as classes sociais. O marginal, está marginal à lei, e não para a sociedade como "excluído social".  De fato muitos dos marginais da lei estão situados nas classes menos abastadas, mas a causa disso é o processo histórico de desorganização urbana, tibieza das leis penais e a não prisão de pessoas com bons advogados.


O crime tem um lado estrutural sim, mas não despreze os fatores individuais e quase instintivos do que se propõe a entrar na vida bandida.
 

A sociedade moderna assim como entende que comer de três em três horas é saudável, alimenta a visão que a prevenção na educação resolverá toda a questão da criminalidade. Ledo engano de quem costuma querer se sentir útil neste discurso tolo, de associações atemporais e desconectas com a realidade.


A desconstrução de valores de ordem societária, como a religião, a família, e até da política (muito por causa dos desgastes de políticos e não dá política), são potentes fomentadores da falácia da humanização do crime, ou melhor, da naturalização do transgredir a norma legal e social.
 

Caminhar em passeatas pela Paz satisfaz egos pessoais, que ignoram a realidade, mas querem fazer "parte" da solução, desde que isso seja politicamente correto para ser debatido e justificado com cervejinha artesanal no encontro com os amiguinhos no bar da moda.

 

O gramscismo e sua influência no pensar Segurança no mundo, em especial, no Brasil. Antônio Gramsci, principal teórico do marxismo cultural, introduziu nos acadêmicos socialistas a ideia de intelectualidade orgânica, partidária e optou, ao contrário de Marx, pela luta no campo da influência nas mentes em vez de revolução armada. Nenhum local mais propício para esse tipo de pensamento ganhar corpo do que o Brasil. Um país continente sem identidades fortes, com linhas étnicas e culturais muito variadas e com uma história política devassa. A carência de lideranças e a decadência do positivismo de Comte, deram asas ao comunismo intelectual que hoje já está no imaginário coletivo sem que a grande maioria perceba.


Como uma das práticas comuns de regimes que pretendem alcançar o poder centralizado e perpetuado, começo citando a anomalia histórica do estatuto do desarmamento. Um golpe no direito a defesa encampado por políticos que, propositalmente ou não, esqueceram as bases históricas da democracia em nome de uma fala sutil e conquistadora dos que pregam a não violência. Pura balela socialista de quem desarma as populações, com a esperança final de não ter opositor caso implementem uma ditadura do proletariado.
 

A coisa diferente do discurso stalinista ou de castro, se dá no convencimento gradativo, em geral na mídia e academia, de que valores "bons" são os de esquerda. Que qualquer fala liberal conservadora, sobretudo economicamente, é nefasta, perigosa e fascista. De que qualquer controle social é abuso de um poder, sobretudo, o de polícia.
 

Com a decadência do regime militar e à insatisfação com a economia da época, o discurso gramscista já ecoava nas universidades nos anos oitenta. O incentivo ao ódio pelas fardas fez surgir além dos grupos tradicionais de esquerda radical, os derivados coletivos anarquistas que por fim em 2013 causaram o horror nas capitais brasileiras, acabando por denegrir movimentos dignos contra o estamento burocrático brasileiro na política. Dominando o objetivo da superestrutura para transformar a sociedade, usando o aparelhamento do estado, o país se convenceu que a educação deve ser ideológica, com a falsa desculpa de incentivo ao pensamento crítico, e na segurança, relativizar o papel da polícia e a  glamorização do crime e do criminoso, formas de desorganização social com vistas a futura dominação hegemônica sem o uso de armas.


Lutar com ideias pode ser, ainda que passe pelo imaginário coletivo o contrário, ser mais eficiente que confrontos com armas. A criminalização da ação policial passou a dominar os bancos de faculdades de humanas, ciências jurídicas e até de administração e economia. Se pensarmos que essa possibilidade vem desde os anos setenta, vemos as consequências do que temos hoje em diversos campos, sobretudo no sistema jurídico penal.


Ao dominar os formadores de opinião, o gramscismo colocou como inimigo o cidadão policial, atrelando a ordem com repressão injustificada, anarquia como forma de luta em nome de bandeiras democráticas, um absurdo ilógico apoiado por doutores intelectuais orgânicos, produzidos nessa fala e reprodutores desse discurso anarcosocialista.
 

Toda a ideia de democracia, que tem base na ideia grega, do governo do povo e para o povo, muito semelhante ao processo histórico norte americano que possui em sua constituição a marca do estado submetido ao povo, o gramscismo, assim como toda doutrina comunista, seja de Mão, Stalin ou de extrema direita como Hitler e Mussolini, matam o poder de pensamento livre, e os estudos de segurança no país sofrem muito com isso.
 

A universidade criou juristas e jornalistas que, mesmo sem intenção, praticam o gramscismo em larga escala, demonizando o controle social da polícia, principal campo do Estado para regular a balança dos direitos individuais e coletivos. A política deve ser um meio, nunca um fim, como afirma Arendt, talvez a maior filósofa contemporânea que trate de totalitarismos. Quando a política vira um fim, com a ideia de Gramsci de sociedade política, o meio vira um fim, mentes não debatem, e falsas verdades viram códigos de ética legais, como o absurdo estatuto do desarmamento ou a discussão sobre o fim do auto de resistência (defesa legítima do policial em confronto).
 

Me parece que finalmente a sociedade tem acordado para esse mal nos campos da educação e segurança pública. Um longo caminho com a diversificação de autores na formação jurídica e educacional pode, a médio prazo, resgatar valores de liberdade de pensamento e debate livre, preservando a vontade da maioria, sem desmerecer a minoria.

Só o livre mercado com desenvolvimento econômico pode gerar condições de melhoria social, a História nos provou isso. Só uma Policia forte pode ajudar o mercado a ter segurança para se desenvolver. O desaparelhamento ideológico deve ser um norte para que possamos buscar soluções inovadoras, sobretudo no país com mais de 60 mil homicídio por ano, não dá mais para ouvir que aqui a polícia é a culpada pelo caos, não caro amigo, ela é parte_vítima desta situação de desvalorização e não empoderamento de seus quadros.

 

Ao procurarmos PPPs, BIDs, participação societária no campo da segurança, enxergamos um caminho que países com IDH alto já adotaram desde os anos setenta, vide Canadá, EUA, e parte da Europa ocidental.

Esse é o caminho.
 

 

 

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JAN VAN CREVELD CARVALHO MONTEIRO

 

Especialista em Segurança Pública pela UFF - INeac, pós graduado em ciências sociais e policial há 14 anos, atualmente no posto de Capitão.

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