Resenha do livro UM MENINO EM UM MILHÃO – MONICA WOOD

06.05.2018

Quinn Porter, um guitarrista de meia-idade, nunca foi um pai e marido presente, voltado para o seu trabalho sempre deixava a família ficar em segundo plano. Quando o seu único filho morre inesperadamente, ele resolve assumir as últimas tarefas do menino como escoteiro e com isso vai ter que conviver com uma centenária imigrante lituana, Ona Vitkus. E é através dela que ele vai conhecer um menino que jamais imaginou ser o seu filho e vai, enfim, se aproximar dele, agora que já é tarde demais...

 

Vou tentar apenas falar um pouco dos três personagens que considero os principais (e de fato são) e, acredito que assim essa história que me prendeu e encantou com sua simplicidade e esperança vai aparecer... eu acho! Desde já peço desculpas se eu não conseguir fazê-la surgir!

 

O personagem principal é o Menino, como é chamado durante toda a história (é interessante como ele não tem nome, e mesmo assim fica muito íntimo da gente à medida que vamos lendo...), um garoto de 11 anos, magricela, calado e nada comum: fascinado pelos recordes do Guinness Book, ainda é um colecionador de objetos (sempre 10 de cada). Também é fascinado por todo o tipo de contagem, ele lista as coisas e tudo o que acontece à sua volta: sua vida é uma eterna lista e coleções não finalizadas, o mundo só parecia ser mais fácil para ele se conseguisse encaixá-lo em algum padrão. E esse garoto peculiar e extremamente sensível encontra em Ona, a centenária imigrante lituana, uma aliada, alguém que o entende e participa de seus interesses. Em contrapartida essa solitária centenária acha nele um bom, atento e tranquilo ouvinte para suas antigas histórias. Formou-se assim a dupla de amigos mais improvável de acontecer!

 

Ona Vitkus é a outra personagem, uma senhora nascida na Lituânia que chegou aos Estados Unidos com seus pais ainda criança e lá vive até seus 104 anos, que é a idade que ela está quando o chefe dos escoteiros leva até a sua casa, na cidade de Portland, EUA, um ajudante incomum: um menino calado e com um jeitinho de ser muito obediente que logo lhe desagradou. Ona recebe ajuda dos escoteiros já tem algum tempo, mas nenhum deles parece se importar verdadeiramente com ela, com o seu passado, com a sua longa história de vida e então ela está sempre pedindo a troca desses ajudantes, implica um pouco com todos. E com o Menino não foi diferente até que... ele a cativou! Na verdade, seu trabalho era apenas auxiliar a velha senhora em algumas atividades em sua casa, como alimentar os pássaros ou limpar os jardins e/ou a garagem. Porém Ona percebe que há algo mais nesse menino estranho, pois ele a ouvia com total atenção e respeito, se interessava pelo que ela tinha a lhe contar e a ajudava no que fosse preciso sem nunca questionar ou reclamar, ao contrário, estava sempre disposto e muitas vezes até ria com uma alegria verdadeira (coisa que parecia ser rara na vida do Menino) dos acontecimentos que viviam ou conversavam. Ona não imaginava que depois de tantos anos sozinha sentiria tanto carinho por outra pessoa, ainda mais por aquele menino observador, metódico, estranho e a princípio muito calado. Então uma amizade linda e pouco provável entre pessoas com idades tão distantes nasceu entre eles, a cumplicidade e a alegria se fizeram presente até que de repente ele não apareceu mais, e ela começou a se questionar sobre o que teria acontecido...

 

Vamos ter também Quinn, o personagem que nunca foi um bom pai e nem um bom marido, que estava sempre ausente como já disse inicialmente, que não sabia como lidar com o filho, o achava estranho e não conseguia ter intimidade suficiente com ele. Os seus encontros eram poucos (era separado da mãe do Menino), achava que o mundo de seu filho era um enigma e não conseguia criar um vínculo maior, mas, mesmo que ele não percebesse, o Menino o tinha como ídolo. E quando o filho morre repentinamente, Quinn não consegue suportar o fato de ter sido ausente e quer conhecer mais sobre ele, então por isso aceita terminar o trabalho que o Menino fazia como escoteiro e através da centenária lituana ele vai finalmente se sentir mais próximo do garoto. Na casa dela tem muito do Menino, Quinn quase sente a presença dele ali e acaba descobrindo que seu filho estava ajudando Ona a entrar para o livro dos recordes como a motorista habilitada mais velha do mundo: como ele era fascinado pelo Guinness, sabia vários recordes de cor (muitas vezes até pensou em entrar para alguns, mas sempre que tinha uma ideia alguém já tinha feito aquilo), descobriu que Ona poderia ganhar como a motorista habilitada mais velha do mundo e estava muito animado com isso, ajudando-a de várias formas... Mas o Menino, do mesmo modo inesperado que chega na vida de Ona, se vai...o menino morre e Ona não sabe se quer continuar com o projeto do Guinnes, afinal, era um sonho que havia sonhado com ele. Mas Quinn quer que o desejo de seu filho se realize a vai ajudá-la a tentar conquistar esse recorde (aqui teremos mais algumas passagens bem engraçadas – as outras estão em alguns momentos do relacionamento de Ona com o Menino - que ajudaram a tornar esse livro além de sensível e poético bastante bem-humorado e leve, apesar das ocorrências tristes da história).

 

Na verdade, acho que o enredo é formado basicamente dos encontros e suas consequências entre esses três personagens, com uma carga de emoção, carinho, humor, expectativa e maneira de ser e viver de cada um deles que vão se entrelaçando de uma maneira atemporal entre passado, presente e futuro, numa narração rítmica e de fácil compreensão. E é bom lembrar que existem outros personagens além desses que formam a essência da história, caso contrário ela corria o risco de ficar até bem monótona né?

Enfim, é uma bela história sobre o futuro e o passado, num tempo presente onde a esperança e a certeza de como precisamos de que apenas uma pessoa se interesse por nós para nos fazer seguir em frente, para fazer que nossos sonhos possam se tornar realidade. É uma obra sensível e diferente: o personagem principal, o Menino, ao mesmo tempo que é presente... não existe para além das lembranças, na verdade é uma presença praticamente transparente, se é que me faço entender: ele está ali, mas...não está! E na maioria das vezes não é triste, na verdade é muito simples e lindo. Palmas para a autora que conseguiu fazer isso!

 

Não sei se consegui fazer aparecer a história desse livro que me encantou principalmente por trazer à tona o melhor das pessoas, algo muito raro de se ter num livro! Sei que eu adorei essa história mas não sei se consegui fazê-la aparecer aqui...

Simples assim!

 

 

 

 

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Maria Cláudia de Macedo Miranda Marandino

 

Resendense de nascimento e carioca desde os meus três anos, sou professora (aposentada) especializada em alfabetização e pré-escolar. Amo ler pelo simples prazer de ler! Não sou especialista em literatura mas vou colaborar no 1 olhar com o resumo que faço de cada um dos muitos livros que leio na esperança de despertar o leitor que sei que vive dentro de cada um de nós: todos somos leitores, basta que o livro certo nos encontre!

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