A Beleza que está em tudo

21.05.2018

Série Existencial

 

Toda "vontade de potência" (Nietzche) aspira à beleza. E também a paz e as diversas manifestações do que se pode considerar belo, já que tal conceito nada mais é que uma visão e sensação particular, assim como o mais forte desejo que cada um sente dentro de si. Assim sendo, a beleza exterior não vive sem a interior!

 

Aquele que não possui ganas (e aqui não me refiro a ganância e sim a força que nos move e nos dá ímpeto nesta vida) será facilmente tentado pela visão da beleza alheia, a qual não nos identificamos, mas nos impuseram e condicionaram. Por isso nos frustramos quando não atingimos um patamar específico de beleza, porque na verdade nunca iremos atingi-lo, pois não faz parte do nosso impulso natural. E nesse mundo de aparências que contradiz a essência, os desejos plantados pelo que vem de fora nos levam as tristezas e aos desencantos.

 

 

A verdadeira beleza exteriorizada que se manifesta vem do interior. Pode estar no aroma de uma rosa, na afeição de um para com o outro, assim como nas incontáveis alegrias. O que vem do interior geralmente está conectado com a nossa consciência que nos encaminha até as realizações, e essas aspirações que vem da alma não nos limita nunca, transformando qualquer desafio em parte do caminho, seja ele qual for. E cada caminho percorrido até a linha de chegada faz parte do belo, mais além do conceito científico do que seria o belo baseado na proporção de beleza.

 

É por este motivo que volto a afirmar: A beleza exterior não existe sem a interior, seria como uma flor sem o perfume das suas pétalas, um poema sem poesia, um diploma sem conhecimento, o conhecimento sem sabedoria, ou a ingenuidade sem pureza, o que seriam somente ilusões, uma beleza genérica e não real.

 

 

 

 

Noções

 

Entre mim e mim, há vastidões bastantes para a navegação dos meus desejos afligidos. Descem pela água minhas naves revestidas de espelhos. Cada lâmina arrisca um olhar, e investiga o elemento que a atinge. Mas, nesta aventura do sonho exposto à correnteza, só recolho o gosto infinito das respostas que não se encontram. Virei-me sobre a minha própria experiência, e contemplei-a. Minha virtude era esta errância por mares contraditórios, e este abandono para além da felicidade e da beleza. Ó meu Deus, isto é minha alma: qualquer coisa que flutua sobre este corpo efêmero e precário, como o vento largo do oceano sobre a areia passiva e inúmera…

 

Cecília Meireles

 

 

 

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Susana Savedra

 

É poeta, arte educadora, atriz, modelo vivo e estudante de letras. Integra duas coletâneas, "Lar" e "Baseado na estrada", autora do livro bilíngue "Desnuda".. Para conhecer melhor seu trabalho acesse sua página no Facebook e seus blogs:

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