Resenha do livro MUITO ALÉM DO INVERNO – ISABEL ALLENDE

02.06.2018

Livro Muito Além Do Inverno

Esse romance conta três histórias que se entrelaçarão e formarão uma só. São elas: a da chilena Lucía Maraz que está em Nova York como professora convidada na Universidade local, tem em torno de 50 anos e mora no porão do professor Richard Bowmaster, a quem gostaria de conhecer melhor, apesar de sua fama de pão-duro e certinho muito além da conta. Tinha como bicho de estimação o fofo chihuahua Marcelo, nome que às vezes me confundia no início da leitura porque achava que era um personagem novo que estava surgindo... Rsrsrs


Teremos também a história a Richard, um acadêmico que vive uma vida milimetricamente controlada e sem surpresas, que é professor na mesma universidade de Lucía e, aos 62 anos, não gosta de nada que atrapalhe sua rotina perfeita. Tem uma vida sem emoções e sem problemas, é quase o que se pode chamar de um chato. Mas aos poucos veremos que não é tão chato assim, que tem seus motivos para essa opção de vida. Seus companheiros são quatro gatos com os curiosos nomes de Um, Dois, Três e Quatro, assim mesmo, em português, porque ele já morou um bom tempo no Brasil e fala nossa língua fluentemente, além de ter estudado sobre a política do nosso país (aqui vale uma observação pessoal: a visão apresentada para a nossa política me pareceu um tanto tendenciosa demais, coisa que não é comum nos livros de Allende...).


Evelyn Ortega é a personagem da terceira história, uma jovem imigrante ilegal da Guatemala que trabalha na casa de um gângster, e é por sua causa que teremos esse enredo.


As histórias começam a se entrelaçar quando um certo dia Três passa muito mal e o professor o leva ao veterinário quando está tendo uma nevasca que torna perigoso andar pelo Brooklyn, mas é necessário salvar o bichano. Na volta do consultório ele bate na traseira de Evelyn Ortega, que entra em pânico ao ver o carro em que está amassado e foge levando apenas o cartão de visita do professor. O que parecia ser apenas um pequeno acidente toma um rumo imprevisto e muito mais sério quando apenas algumas horas depois Evelyn aparece na casa do professor em busca de ajuda. Mas a moça é gaga, mal fala inglês e a solução para tentar entende-la foi chamar a vizinha chilena. Lucía escuta e quando Evelyn abre o porta-malas de seu carro e mostra um cadáver as coisas vão começar realmente a acontecer e complicar. A moça tinha medo de represálias porque pegou o carro de seu patrão sem autorização para ir à farmácia comprar fraldas para o garoto especial de quem cuidava, mas ao abrir o porta-malas após o acidente achou o cadáver e se apavorou, com toda razão, é claro.
Richard logo quis chamar a polícia, mas Lucía o convence a descartar essa possibilidade pelo fato de Evelyn ser ilegal e porque precisavam ajudá-la de algum modo já que estava sozinha no país. Os três então se uniram para sumir com o corpo e Lucía e o professor viram cúmplices do delito de ocultação de cadáver, mas se as autoridades descobrirem alguma coisa já podem ser acusados pelo fato de saberem de um crime e não terem denunciado. Basicamente é com esse enredo um tanto original e pouco plausível, que vamos percorrer as histórias de cada um dos personagens, ao mesmo tempo que acompanhamos o que vai acontecer com o cadáver.  Ficou interessante sabermos da trajetória dos personagens, mesmo assim a história continua um pouco forçada, não é algo muito verossímil. Ao tocar em questões como direitos humanos e a situação de imigrantes e refugiados, o livro fica mais crível e as lembranças sobre a vida de cada uma dessas pessoas foram fortes o bastante para captar um pouco mais o meu interesse. Vamos descobrir que acontecimentos passados que poucos teriam a capacidade de superar é que norteiam a  maneira singular e até um tanto monótona de viver de Richard; o mistério de Evelyn aparece mais claramente nas torturas pelas quais passou na sua terra durante a infância e a juventude; e Lucia por sua vez traz na sua história pessoal muito da vida daqueles que precisam se exilar por motivos políticos por se sentirem estrangeira em seu próprio país.


Já li coisas muito melhores de Allende. Nesse livro o que achei mais artificial foi o estratagema usado para unir as histórias dos três protagonistas, foi algo que não convence. Pelo menos a mim não convenceu: dois professores que mal se conhecem escondendo um cadáver para ajudar uma refugiada totalmente desconhecida? No mínimo é estranho. Contudo, o livro mantém uma certa suavidade por causa da maneira de escrever de Allende: como sempre, ela é capaz de passar pelos acontecimentos mais improváveis e sérios sem perder o tom sensível e, por vezes até bem-humorado, que são algumas das características de suas narrativas. Ainda assim não gostei da trama, fica aquela sensação de algo improvável e até meio absurdo que me leva a pensar onde está aquela escritora de “Paula”, de “O Amante Japonês”, do “O Caderno de Maia” e tantos outros livros dela que já li...


Isabel Allende é sempre uma boa opção de leitura, porém “Muito Além do Inverno” ficou devendo: vamos aguardar por um próximo livro, que com certeza estará mais a altura de tudo que já conhecemos dela, afinal não é possível acertar sempre, não é?

 

#LERÉTUDODEBOM!!!

 

 

 

 

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Maria Cláudia de Macedo Miranda Marandino

 

Resendense de nascimento e carioca desde os meus três anos, sou professora (aposentada) especializada em alfabetização e pré-escolar. Amo ler pelo simples prazer de ler! Não sou especialista em literatura mas vou colaborar no 1 olhar com o resumo que faço de cada um dos muitos livros que leio na esperança de despertar o leitor que sei que vive dentro de cada um de nós: todos somos leitores, basta que o livro certo nos encontre!

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