Resenha do LIVRO DE SONETOS – VINICIUS DE MORAES

23.06.2018

Livro de Sonetos

 

Falar de Vinicius de Moraes... como? Sou apenas uma pessoa comum, viciada em livros, escrevendo sobre o que leio na tentativa de despertar o leitor que sei que existe dentro de cada um de nós. E talvez por isso seja muita pretensão falar do poeta, do inesquecível compositor, do boêmio, do diplomata, do sempre grande “poetinha” de quem tanta gente já falou com muito mais propriedade do que eu... Então, que me perdoem os críticos e os estudiosos, não tenho a menor ideia do que vai sair daqui, mas... tentar é preciso!


Poesias me remetem ao passado, aquela velha história do “eu era feliz e não sabia”, me dá uma vontade enorme de... escrever poesia!! Logo eu que não gosto de ler um livro inteiro só de poesias, nem dos poucos de Augusto Frederico Schmidt que adoro!!! Complicada essa minha relação com a poesia, sempre foi assim... aliás, difícil mesmo é entender essa minha cabeça de viciada em leitura!

 

 

Mas o fato é que um dia ao passear por uma livraria física (atualmente vivo muito mais nas livrarias virtuais pela comodidade e pelo preço também, não há como negar...) vi esse volume do “Livro de Sonetos” da Editora Companhia das Letras e num impulso comprei. E não me arrependi, apesar de depois me lembrar que tenho um volume autografado de 1967 (que li naquela ocasião) que pertenceu a meu pai e estava perdido na minha estante entre as minhas centenas de livros! Mas essa edição de 2017 está muito linda, com fotos maravilhosas de  manuscritos e de imagens do “poetinha”, com um posfácio escrito especialmente para essa publicação por Alcides Villaça e tem também numa seção denominada “Arquivo” os prefácios da primeira (Luiz Santa Cruz) e segunda (Otto Lara Resende) edições... Vale lembrar que o livro é de 1957, mas que em 1967 a editora Sabiá o reeditou com o acréscimo de 25 poemas inéditos feito pelo próprio Vinicius, o que acabou dando uma maior visibilidade a ele e é o que está sendo reeditado aqui.


Já falei que não sou muito chegada a ler um livro só de poesias (normalmente quando o faço é intercalando com algum romance), eles me enchem de tristezas e/ou saudades não sei bem nem do quê ou do porquê... Fico nostálgica. Quando mocinha meu pai me habituou a ler Antologias Poéticas de vários autores, já que uma poesia poderia cair na prova de português de admissão ao Curso Normal do Instituto de Educação aqui do Rio de Janeiro e eu me preparava para esse concurso. Aqui vale uma explicação para os mais jovens: naquela época as Escolas Normais preparavam as futuras professoras do Estado do Rio de Janeiro num curso de três anos, e as provas eram bem difíceis para que fossemos admitidas em qualquer uma delas (eu escolhi o Instituto de Educação). O fato é que o tempo passou e nunca consegui me apegar ao hábito de ler livros inteiros de poesias, gosto delas isoladamente e mesmo assim apenas em certos momentos! Na verdade, o que gosto é de continuidade em tudo que leio, daí a minha preferência por romances e de não apreciar tanto os livros de contos, crônicas e poesias... Leio, mas não é a minha praia!


E voltando ao nosso poeta maior que é o que importa aqui, os sonetos de Vinicius são eternos... através deles conseguimos viajar no tempo e no espaço, alguns nos fazem sentir como se fossem escritos por nós ou para nós, noutros a sensação é de que estamos “batendo um papo” com alguém atemporal, a alegria se faz presente em uns e em outros sentimos que toda a tristeza do mundo está dentro dele, existem também aqueles que nos fazem sorrir e os que nos dão vontade de chorar... pelo menos eu sinto assim: não dá para passar imune ao ler Vinícius de Moraes! E podemos também entender porque foi um grande compositor: suas poesias nos fazem querer cantar, ora para celebrar, ora para lembrar e muitas vezes apenas para dizer algo que está preso dentro do nosso peito e precisa ser colocado para fora! Mas tudo isso acho que todo mundo sabe, realmente não dá para escrever sobre qualquer obra de Vinícius sem cair nas obviedades! Então vou parar por aqui dizendo que passei um dia lindo lendo essas poesias (o livro é até bem fininho, apenas 132 páginas), porque sonhar é preciso, lembranças, mesmo que nostálgicas, são benvindas e saber que sempre teremos Vinicius de Moraes para nos lembrar disso e muito mais... é fundamental!


PS - Verificando o que escrevi vi que acabei falando mais de mim e da relação que tenho com a poesia do que do livro. Mas verdade seja dita: é mesmo preciso alguém mais falar de Vinicius de Moraes e sua obra? Ler e reler Vinícius sempre vale e valerá a pena, escrever sobre ele...é dispensável!

 

#LERÉSEMPREMUITOBOM!

#LERÉTUDODEBOM!!!

 

 

 

 

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Maria Cláudia de Macedo Miranda Marandino

 

Resendense de nascimento e carioca desde os meus três anos, sou professora (aposentada) especializada em alfabetização e pré-escolar. Amo ler pelo simples prazer de ler! Não sou especialista em literatura mas vou colaborar no 1 olhar com o resumo que faço de cada um dos muitos livros que leio na esperança de despertar o leitor que sei que vive dentro de cada um de nós: todos somos leitores, basta que o livro certo nos encontre!

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