Resenha do LIVRO LAÇOS – DOMENICO STARNONE

07.07.2018

LAÇOS – DOMENICO STARNONE

 

Estava com vontade de ler esse livro desde que vi a sinopse dele no site de uma livraria, e quando alguém em algum lugar comparou o estilo do autor com o de Elena Ferrante, escritora de quem gosto muito, resolvi que tinha chegado a hora de comprá-lo e ler logo! Mas agora que consegui... acho que foi um pouco monótono, esperava bem mais dele! O que compensou a leitura foi o final surpreendente, algo que não me passou pela cabeça em momento nenhum. Vale ressaltar que esse bem bolado final é que, a meu ver, deu até um novo significado ao romance, foi o que tornou bom o fato de ter insistido e ido até o fim dele, coisa de que não me arrependo agora, embora continue a não poder dizer que é uma leitura gostosa de se fazer.


Resumidamente essa é a história de Vanda e Aldo, que casaram muito cedo e que estão juntos há mais de cinco décadas, com suas vidas passando por tensões e desgastes comuns num casamento, sendo inclusive surpreendidos pela revolução nos costumes que tomou parte do mundo entre os anos 1960 e 1970.


A primeira parte do livro é formada pelas cartas que Vanda escreve na época em que é abandonada pelo marido Aldo, onde alterna os momentos de compreensão com os de ataques de fúria gigantescos: ao mesmo tempo que ela quer que o marido volte, também quer machucá-lo e agredi-lo, muitas vezes usando até os filhos pequenos para isso... Sentimentos de amor e desespero que permeiam a vida de Vanda se intercalam e as cartas ficam, ora saudosistas, ora raivosas!


Na segunda parte vamos ter a narrativa de Aldo, já no presente, onde eles agora estão velhos, novamente como um casal, com os filhos já adultos e fora de casa vivendo as suas vidas. A narrativa dele começa quando estão partindo para uma viagem ao litoral para um pequeno período de férias de verão, e logo no início Aldo é enganado duas vezes no mesmo dia por pessoas diferentes, e a impressão que me ficou é que ele parece  ter se tornado um senhor pacato, crédulo e sem vontade própria, meio que mandado pela mulher. Tudo se complica quando, após as férias, voltam para Roma e encontram o apartamento onde viveram a maior parte de suas vidas completamente revirado, coisa nenhuma está no lugar, algumas mobílias estão até quebradas, mas constatam que nada sumiu, a não ser o gato que não sabem se fugiu (Vanda acha que foi sequestrado, sei lá porquê...) durante a invasão da casa. Ao tentarem arrumas os móveis aproveitáveis no lugar e colocar as coisas nas gavetas reviradas, pequenos objetos que acumularam em anos de matrimônio são encontrados e lembranças do passado vão surgindo...


Através das cartas de Vanda que Aldo guardou por toda a vida, ele começa, então, a contar a sua versão da época em que estiveram separados, detalhando o que sentia por Lívia, a mulher por quem trocou Vanda, e lembrando da culpa e da impotência que sempre sentiu diante dos filhos pequenos. Na ocasião ele tenta justificar seus atos com o discurso do progresso e liberalismo dos anos 1960 que considera o casamento uma instituição falida e hostil. Mas dá para sentir que o que tenta mesmo é aliviar sua consciência e responsabilidade quanto aos males que causou à sua família. Aldo nunca abandonou totalmente a mulher e as crianças, mas o sentimento de culpa jamais saiu de dentro dele, apesar de tentar justificar o afastamento com o argumento de que essa família representava uma sociedade conservadora e que ele, um “homem moderno”, quer deixar para trás. Lívia é jovem e com ela não há cobranças ou convenções que prendam um ao outro, só importa o que sentem e vivem no agora. Já com Vanda e os filhos existem os laços de uma sociedade ultrapassada a seu ver.


Mas no final os laços familiares prevalecem sobre a aventura de Aldo, e são esses mesmos laços que levam os personagens principais a tentarem novamente ter uma família convencional para seguirem em frente. Esse momento da volta não é relatado em detalhes no texto, é algo sutil que apenas percebemos que aconteceu. Fica bastante óbvio que tudo que aconteceu com ambos no passado reflete de alguma forma nos filhos agora adultos, que vão conduzir a terceira parte do livro e mostrar que eles percebiam e sabiam muito mais do que os pais imaginavam na ocasião...


Enfim, com essas três partes temos a história de Laços, um drama que não se detém apenas na mulher abandonada, no homem que a traiu ou nos filhos largados no meio de toda a confusão que existe quando um casamento entra em crise. É um romance curto (são apenas 124 páginas) que nos mostra como as atitudes de um casal certamente atingem a família como um todo pela vida afora. Mais não posso dizer para não atrapalhar o melhor de tudo, que como já disse, é o desfecho surpreendente. Quem quiser saber vai ter que desfazer os nós desses laços... lendo o livro!

 

#LERÉSEMPREMUITOBOM!

#LERÉTUDODEBOM!!!

 

 

 

 

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Maria Cláudia de Macedo Miranda Marandino

 

Resendense de nascimento e carioca desde os meus três anos, sou professora (aposentada) especializada em alfabetização e pré-escolar. Amo ler pelo simples prazer de ler! Não sou especialista em literatura mas vou colaborar no 1 olhar com o resumo que faço de cada um dos muitos livros que leio na esperança de despertar o leitor que sei que vive dentro de cada um de nós: todos somos leitores, basta que o livro certo nos encontre!

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