Resenha do LIVRO BONECO DE PANO – DANIEL COLE

14.07.2018

Boneco de Pano

 

Boneco de Pano é aquele suspense básico de um romance policial onde temos um crime bárbaro e um serial killer disposto a brincar com a inteligência da polícia, que nos leva a mergulhar numa investigação frenética de corrida contra o tempo em que até a vida de um dos próprios investigadores está ameaçada.


Gosto de livros policiais de vez em quando, mas esse me deixou um tantinho frustrada dado aos elogios da crítica especializada que me encheu de expectativas que não aconteceram! Mesmo assim vamos ao enredo do livro, pois isso é o que verdadeiramente importa aqui nesse espaço...


Em 2010 um crime chocou a população de Londres, quando várias mulheres foram queimadas vivas por um psicopata que era conhecido apenas como “O Cremador”. O principal suspeito, Naguib Khalid, foi levado a julgamento e, apesar de tudo que pesa contra ele, é inocentado. O detetive William Fawkes, conhecido como Wolf e que foi o responsável pelo caso, acaba perdendo o controle e agredindo o réu dentro do tribunal. Por conta disso ele é afastado de seu trabalho e internado em um hospital psiquiátrico.
Quatro anos depois Wolf já está de volta ao seu lugar na polícia quando foi encontrado num prédio em frente ao que ele mora um cadáver que é composto por partes do corpo de seis pessoas costuradas grosseiramente, tentando imitar um boneco de pano. O mais incrível é que a cabeça do boneco é a do “Cremador” e já aí começa o primeiro mistério: como alguém, que depois do grande julgamento acabou sendo preso por praticar novo assassinato nos moldes dos anteriores, pode ter tido a cabeça cortada e levada embora, estando dentro de um presídio? A polícia agora precisa descobrir isso e quem são as outras vítimas que compõem o macabro boneco, se elas têm ligação umas com as outras ou se tudo é apenas uma obra de um maquiavélico assassino...


Andrea, jornalista e ex-mulher de Wolf, recebe as fotos desse sinistro boneco, que eram sigilosas, junto com uma lista contendo mais seis nomes e datas de futuras vítimas, sendo que o último nome é o do próprio detetive. No meio desse cenário tenebroso teremos uma investigação que não estará nas mãos de um único detetive, e sim de uma equipe de policiais empenhada em desvendar o crime do boneco de pano e de encontrar o assassino da tal lista antes que seja tarde demais, partindo para uma contagem regressiva onde todos estão envolvidos e qualquer a ajuda é importante: Emily, a detetive melhor amiga de Wolf, o novato Edmunds e outros velhos parceiros de trabalho estarão juntos nessa corrida para saber qual a ligação e motivação para esses crimes tão bárbaros.
Parece um grande enredo, e de fato é mesmo. Mas a meu ver o autor se perdeu um pouco ao usar muitos personagens e ao conduzir a história, às vezes, de modo um tanto confuso, deixando diversas lacunas ao longo dela.


E é exatamente por existirem vários personagens envolvidos na mesma história que fica difícil falar de todos, então vamos aos que me pareceram mais significantes. Wolf, o detetive que obviamente é o principal, mas que é tudo aquilo que não se espera do mocinho de uma história policial: parece que está escondendo algo, é um pouco indolente, intolerante, “pavio curto” e por vezes bastante incoerente. Emily, a detetive que é sua amiga mais antiga e parceira de outros tempos, não fica para trás, parece ter vários segredos e muitas vezes se mostra fraca e indecisa. Edmunds, o “novato”, acaba se revelando o mais perspicaz, inteligente e corajoso da equipe e foi a grande figura na elucidação da história. E não podemos nos esquecer de falar do outro personagem tão importante quanto o principal (Wolf) que é justamente o assassino: aos poucos vamos percebendo que se trata de uma pessoa muito ousada e inteligente, que está sempre um passo na frente da polícia e suas técnicas para matar são tão cruéis que beiram o inverossímil, como se ele fosse um deus que não encontra nenhuma dificuldade para realizar seus planos.


Vou ficar só nesses quatro personagens porque o número exagerado deles dificultou muito seguir uma linha de raciocínio coerente: a narrativa passava rapidamente de um para outro com algumas informações irrelevantes que atrapalhavam qualquer tentativa de entender a trama. E isso foi bem complicado na minha cabeça: quando eu estava me acostumando com um personagem e tentando entender a sua história, já era levada para outro lugar com outras pessoas e... não gostei disso, nem sei bem como explicar o que aconteceu comigo durante essa leitura! Se tem uma coisa que me incomoda é não saber explicar o que senti ao ler um livro, e é o que está acontecendo agora com Boneco de Pano. Mas vou continuar escrevendo, até porque preciso dar um fim nessa resenha...


Como pano de fundo da história vamos ter a imprensa sensacionalista, onde a sede da notícia em primeira mão, independente do que ela causará ou a quem afetará, é exposta em todos os seus detalhes e intrigas de bastidores. E isso é algo que acaba servindo aos propósitos do assassino ao longo da trama e é, até certo ponto, uma das coisas mais bem colocadas nesse enredo ao focar numa mídia sensacionalista e sem escrúpulos, em todo o mal que ela pode fazer acontecer em qualquer lugar e/ou situação.


Acho que o novo escritor Daniel Cole soube construir uma trama interessante, mas com um final um pouco decepcionante que deixou muitas questões sem explicações. A revelação do assassino e da sua motivação foi algo muito fraco e até um tanto sem lógica que deixou um gostinho de frustração no fim da leitura. É um livro com lacunas em demasia que ficaram vazias, que não foram preenchidas nem explicadas, foram simplesmente abandonadas. Teve também alguns personagens que pareciam ser importantes e acabaram passando pela história sem aparentemente nada acrescentar. Deu para ler, mas não fiquei satisfeita: vi em algum lugar que esse é o primeiro de outros livros com esse detetive imperfeito e único como personagem principal, então vou ficar aguardando para ter uma ideia melhor de quem é esse autor, que teve uma boa ideia, mas, a meu ver, não soube explorá-la a contento...
 

#nãoexistelivroruim    

#unsagentegostamuito  

#outrosagentegostamenos

#LERÉTUDODEBOM!!!

 

 

 

 

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Maria Cláudia de Macedo Miranda Marandino

 

Resendense de nascimento e carioca desde os meus três anos, sou professora (aposentada) especializada em alfabetização e pré-escolar. Amo ler pelo simples prazer de ler! Não sou especialista em literatura mas vou colaborar no 1 olhar com o resumo que faço de cada um dos muitos livros que leio na esperança de despertar o leitor que sei que vive dentro de cada um de nós: todos somos leitores, basta que o livro certo nos encontre!

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