Resenha do LIVRO NEM VEM – LYDIA DAVIS

11.08.2018

NEM VEM – LYDIA DAVIS

Não sou muito chegada a um livro inteiro de crônicas e/ou contos, gosto desse gênero literário apenas esporadicamente, num jornal ou na Internet. Minha literatura preferida é sempre um bom romance. Mas quando viajo, para não ficar presa num enredo querendo acompanhar a história, invisto em livros de contos e/ou crônicas pois em poucas páginas tenho algo com começo, meio e fim que satisfaz a minha ânsia de ler, pois não consigo ficar totalmente sem praticar o meu “esporte” favorito...

 

Na última vez que viajei não tinha nada em mente e, seguindo a orientação de um vendedor, de repente me vi lendo “Nem Vem”, algo que confesso não saber o que dizer sobre ele... Acredito que isso é um gênero literário apenas dessa autora, eu não consigo identificar: não é conto nem crônica, não sei se é sonho, realidade ou ficção! É tudo muito doido, pelo menos para a minha cabeça!

 

Na verdade, são 122 narrativas completamente aleatórias, ora chamadas de sonho, ora dizendo ser reescritas de Flaubert, ora cartas, ora observações e por aí vai... Às vezes tem humor, em outras alguma ternura, mas, na maioria das vezes são coisas tão estranhas que me levaram a ter vários sentimentos, fui da surpresa ao nojo, passando muito pouco pela satisfação! Mas era o que eu tinha e juntando ao meu péssimo hábito de TER que acabar de ler tudo que começo...aí vão algumas considerações: vou tentar dar umas pinceladas em algumas dessas coisas (desculpem a palavra ”coisa”, não é para desmerecer os escritos da autora, é que realmente não sei como classificar...), mas tenho sérias dúvidas se vou conseguir me fazer entender.

 

Na página 87 tinha uma dessas narrativas que até gostei, mas que li no momento errado: estava no avião, já no meio da viagem e o título era... O POUSO. Até aí tudo bem se não fosse o fato de ser o relato das emoções de um personagem que estava dentro de um avião que ia fazer um pouso forçado. Muito bem escrito, até com algum humor, mas no meu caso específico...na hora completamente inadequada! Talvez em outra ocasião eu até pudesse ter apreciado mais, pois, como já disse, é bem escrito, de uma maneira que consegue transmitir com uma clareza incrível todas as emoções do personagem! Senti todo o medo dele, talvez (ou porque) estava num avião que daí a algum tempo também iria pousar!!!!

 

Na página131 temos um texto com o título de AS VACAS que é bastante interessante, tem ritmo, uma cadência incrivelmente bem colocada ao falar do comportamento desses animais visto da janela da cozinha de algum lugar. É muito louco como uma coisa até certo ponto monótona, me agradou: me senti tranquila e literalmente vendo a vida por um prisma muito calmo, no ritmo das vacas chegando e saindo da vista do personagem...

 

Para compensar esses dois momentos positivos acima, vamos a duas passagens que me despertaram sentimentos horríveis, não é isso que procuro enquanto leio: na página 251, “COITADO DOS CACHORROS DELES” é algo cruel, tenta ser realista, mas me doeu fundo a rejeição daquele pobre animal, narrado de uma maneira casual, como se fosse algo banal! Um horror, felizmente bastante curto. E “HOSPEDADO NA CASA DO FARMACEUTICO”, na página 257 me deu nojo, trata da ida ao banheiro descrita sem um mínimo de sutileza, que pode ser ouvida na sala: “A Sala de jantar da família fica logo ali, pertinho. A gente ouve o barulho do cocô caindo no fundo, misturando ao som da carne cortada e revirada nos pratos. Arrotos misturados a peidos etc. – encantador.” (Sic, página 258.). Se era para ser cômico, apenas “normal” ou narrar algo cotidiano... para mim foi nojento! Se era para ser uma passagem “reescrita” de Flaubert, podia ser com algo menos asqueroso! Detestei!

 

Gostar, gostar mesmo, só de FOCAS, Página 156, não sei se é ficção ou se são lembranças da autora, mas, apesar de triste, me fez pensar e repensar, me fez chorar, me fez recordar... É a história do relacionamento da autora desse texto com a irmã mais velha que ela considerava como se fosse sua mãe. É bonito e triste ao mesmo tempo, com reflexões que me remetiam ao meu próprio relacionamento com a minha mãe, me fez sentir saudades e até dar alguns sorrisos quando me faziam pensar em situações semelhantes. FOCAS é a coisa mais longa desse livro esquisito, que não sei nem dizer se só por ele vale a pena investir na sua leitura... Mas esse pensamento da autora, na página 167, foi a única coisa que me ficou do livro mais estranho que já li na vida...: ”Depois que ela morreu, todas as lembranças se tornaram preciosas, mesmo as más, das vezes em que eu estava irritada com ela, ou ela comigo. E parece, então, um luxo ficar irritada”.

 

Só uma última das coisas desse livro: “Ph.D.” (título, página 298). “Estes anos todos pensei ter um Ph.D. Mas eu não tenho um Ph.D.” (Texto da mesma página). Agora alguém me diga: o que é isso? Conto não é. Sonho? Não sei. Crônica também não é. Só posso dizer que acho que é um pensamento aleatório, mas que não consigo imaginar o que está exatamente fazendo num livro... Seria algo para ser colocado num diário...de uma adolescente sonhadora talvez? Confesso que não sei... Posso estar errada, mas acho que fui muito louca por ter conseguido ler essas 298 páginas. Ou estava com muita sede de leitura. Ou as duas coisas. Vá se saber o que se passa na cabeça de uma leitora compulsiva!!!!

 

Na sinopse diz que a escritora deixa nesse livro “sua marca inconfundível que mistura inteligência, humor e uma boa dose de estranheza”. Eu diria que foi uma enorme dose de estranheza, salpicada com alguma inteligência e por vezes um humor um tanto...diferente! Não pretendo investir mais o meu precioso tempo nessa senhora, no que pese alguns críticos terem elogiado sua escrita, que até considero boa em certos textos que possuem alguma lógica... Só me resta então pedir desculpas por uma resenha tão longa se poderia resumir tudo que escrevi sobre o livro com apenas uma palavra: ESTRANHO!


#mêsquetemlucindarileyésempreproveitoso      

#lerémuitobom

#lerédiversão

#leréinformação

#lerébomdemais

#LERÉTUDODEBOM!!!

 

 

 

 

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Maria Cláudia de Macedo Miranda Marandino

 

Resendense de nascimento e carioca desde os meus três anos, sou professora (aposentada) especializada em alfabetização e pré-escolar. Amo ler pelo simples prazer de ler! Não sou especialista em literatura mas vou colaborar no 1 olhar com o resumo que faço de cada um dos muitos livros que leio na esperança de despertar o leitor que sei que vive dentro de cada um de nós: todos somos leitores, basta que o livro certo nos encontre!

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